Uma trajetória construída entre madeira, indústria e inovação, que transformou a cidade em referência nacional no setor moveleiro.
Imagine uma locomotiva a vapor cortando a Serra do Mar, com a fumaça branca se misturando à neblina da tarde, e uma cidade nascendo à beira dos trilhos. Essa é a imagem que melhor define Rio Negrinho, um lugar que surgiu do movimento, do vapor e da madeira, e que nunca parou de se reinventar.
A formação do município está diretamente ligada ao desenvolvimento ferroviário do final do século XIX. A partir de 1880, com a implantação da Estrada de Ferro Dona Francisca e a chegada da Maria Fumaça, a região ganhou relevância no escoamento da madeira e da erva-mate, atividades que definiram os primeiros caminhos do seu crescimento. Alemães, portugueses, italianos e poloneses chegaram pela ferrovia e deixaram não apenas raízes, mas uma rica herança cultural visível até hoje na arquitetura, na gastronomia e na hospitalidade da cidade.
O curioso é que essa mesma locomotiva, que nasceu como ferramenta de trabalho, se tornou um dos maiores símbolos turísticos do sul do Brasil e ainda circula.
O passeio de Maria Fumaça percorre cerca de 60 quilômetros entre Rio Negrinho e Corupá, descendo a Serra do Mar por entre túneis, viadutos e Mata Atlântica preservada. A viagem acontece mensalmente, operada pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, e conecta gerações pelo mesmo deslumbramento: o vapor, o apito e a paisagem.
Foi a partir desse cenário que Rio Negrinho consolidou sua vocação produtiva. A abundância de matéria-prima, aliada à logística ferroviária, criou o ambiente ideal para o crescimento da indústria madeireira. Com o tempo, o que era extração e comércio se transformou em técnica, especialização e design.
Locomotiva Maria Fumaça subindo a Serra do Mar na estrada Curitiba-Paranaguá, na década de 1930
Um dos nomes centrais dessa história foi Jorge Zipperer. Com visão empreendedora e forte influência europeia, ele trouxe novas tecnologias e processos industriais que elevaram o padrão da produção local. Sua atuação foi decisiva para transformar uma atividade baseada em recursos naturais em uma indústria estruturada e competitiva, e sua herança permanece viva.
O antigo casarão da família Zipperer hoje abriga o Museu Municipal Carlos Lampe, guardando a memória de quem participou diretamente da construção da identidade da cidade.
Foto aérea da indústria Móveis Cimo, localizada em Rio Negrinho. A seta aponta o Casarão Zipperer, localizado no centro do lote ajardinado e a indústria aos fundos.
Fonte: Arquivo Histórico do Município de Rio Negrinho.
Um dos nomes centrais dessa história foi Jorge Zipperer. Com visão empreendedora e forte influência europeia, ele trouxe novas tecnologias e processos industriais que elevaram o padrão da produção local. Sua atuação foi decisiva para transformar uma atividade baseada em recursos naturais em uma indústria estruturada e competitiva, e sua herança permanece viva.
O antigo casarão da família Zipperer hoje abriga o Museu Municipal Carlos Lampe, guardando a memória de quem participou diretamente da construção da identidade da cidade.
A chaminé da antiga Móveis CIMO permanece como um dos principais marcos urbanos da cidade e símbolo concreto de uma era industrial que moldou não só a economia local, mas o design nacional.
Com o passar das décadas, Rio Negrinho deixou de ser apenas um ponto de extração para se tornar um dos principais polos moveleiros do Brasil. A indústria se modernizou, novas empresas surgiram, e a cidade consolidou uma base econômica sólida, com conhecimento técnico acumulado e mão de obra altamente qualificada.
É dessa trajetória que nasce a Rota Moveleira. Mais do que um corredor comercial, ela representa a evolução de toda essa história, conectando indústria, design e consumidor final em um único lugar.
Ao percorrer a rota, o visitante não está apenas comprando móveis. Está em contato com décadas de conhecimento acumulado, com o DNA produtivo de uma cidade que faz da madeira uma forma de expressão.
A Rota se tornou referência nacional, atraindo compradores e decoradores de diferentes estados em busca de qualidade, diversidade e, sobretudo, procedência.
Aqui, cada peça carrega uma história.
Rio Negrinho vai além do seu polo industrial. Cercada pela Serra Geral e pela Mata Atlântica, a cidade também se destaca como destino de natureza, cultura e experiência, integrando o roteiro Caminho dos Príncipes, no Planalto Norte catarinense.
Inserida nesse ecossistema, a Morada Móveis representa a continuidade de uma tradição que ajudou a moldar a identidade da cidade. Nascida no mesmo território que deu origem à CIMO e a tantas outras marcas, carrega em seu DNA o compromisso com a produção local, o cuidado com os materiais e a atenção aos detalhes.
Mais do que fabricar móveis, a Morada constrói ambientes. Cada peça traduz uma relação verdadeira com a madeira, com o processo e com a origem.
Esse legado segue vivo, sustentado por uma cultura construída ao longo de gerações. Hoje, a empresa une história, técnica e inovação para manter ativa uma herança que consolidou Rio Negrinho como uma das principais referências do mobiliário no Brasil.